sexta-feira, 20 de maio de 2011

Mais uma Patuscada!

Como o tempo está, o que apetece é disto, almoço/petisco, barriguinhas a crescer, mas o que havemos de fazer? Em nome da tradição não comamos amanhã o que podemos comer hoje.
No dia a seguir há sempre quem se dedique à corrida para colmatar os excessos do dia anterior, os mais desprovidos de forças contemplam o corpinho com uma caminhada e assim poderão continuar por muitos mais anos, ou não...

sábado, 30 de abril de 2011

FESTA RIJA NO MONTE!!









































Esta festarola foi de longa duração, com grande comesaina, muito bem regada  e à noite até deu direito a bailarico. P'ró ano, na Pascoa, há mais.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Visto de outra prespectiva.

Esta foi tirada da zona do deposito de agua.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

FAÇA-SE LUZ...


Há mais de 500 pessoas nos povoados da serra de Serpa que ainda vivem na penumbra. Para a maioria, a eletricidade só vai chegar no final de 2012. A questão está em acreditar nisso..


São apenas duas horas de caminho - pouco mais de 200 quilómetros, a partir de Lisboa -, mas mais parece que fizemos uma viagem no tempo. Ali, onde o alcatrão acaba e a estrada de terra começa, não fosse o ladrar dos cães e quase se ouvia o silêncio. Um luar pálido mal deixa ver aqueles montes salpicados de pontos mais claros, casas onde vivem uma, duas, três pessoas, rodeadas pelo montado e extensos olivais. Não há quaisquer outros néons, só as estrelas. Um postal ilustrado que apenas se desfaz dentro de portas. Onde, para novos e velhos, o bem mais desejado é feito de um conjunto de linhas e postes - a eletricidade. Há os que a esperam ansiosamente, os que só acreditam quando ligarem o interruptor, os que já nem se importam, porque sempre viveram assim.



Como D. Maria. O Sol escondeu-se e a senhora correu a aconchegar-se na mesa da braseira. A filha prepara-se para levar o jantar ao lume, o genro ainda não chegou. Na televisão, as notícias. Pela casa, veem-se fios atrás de fios, ligados a extensões que vêm do gerador, uma caixa cheia de gasóleo, instalada na rua. Só há uma luz acesa, no teto da entrada da casa - que é também a sala e a cozinha. Maria Teixeira Candeia tem 64 anos e já sabe que a eletricidade vai chegar ali em 2012, mas não quer conversas sobre isso, habituou-se aos dias assim. A filha, Maria do Carmo, 41 anos, compreende bem a mãe: "Em a vendo é que eu acredito." Em a vendo, à eletricidade, claro. Até lá, a rotina mantém-se: durante o dia, andam de volta dos animais. Quando o Sol se vai, por volta das seis da tarde, ligam o gerador - para espreitar as novidades na TV, ligar um ou outro candeeiro e uma varinha mágica para bater a sopa. Terminadas as lides, por volta das dez, desliga-se a máquina que lhes leva um cheirinho de energia elétrica - mas que pesa muito na carteira, ao fim do mês. Fogão e frigorífico, esses, são a gás. Mesmo assim, custam um dinheirão. "Uma botija já se faz pagar a 25 euros. No pino do verão, só o frigorífico gasta uma, em duas semanas", contabiliza Maria do Carmo. O homem da casa, Luís Pereira, 45 anos, chega, entretanto, e mostra o seu melhor sorriso. "Para nós, a eletrificação da serra de Serpa é um sonho. Poder ligar os eletrodomésticos normais numa casa..."

Não estão sozinhos - ali, na zona crítica alentejana, como foi apelidada há 20 anos, ainda resistem mais de 500 pessoas, espalhadas por três freguesias: Salvador, Vila Nova de São Bento e Vila Verde de Ficalho, um triângulo esquecido entre Serpa e a fronteira espanhola, a oriente, e Mértola, a sul. É também um local encravado entre uma mão-cheia de centrais de produção de energia solar. Mas, pela noite dentro, não há qualquer reflexo disso. A escuridão é cada vez maior.

Gente esquecida Até há poucos meses, não se via por ali nem um bocadinho de cabo elétrico - ainda que sob a forma de obra em construção. Mas a reivindicação tinha anos. Levou a protestos e a manifestações, e deixou os agricultores desavindos com o seu Ministério. Foi nos inícios de 2000 que aquela gente pediu fundos comunitários para a obra. Os papéis deram entrada depois do prazo. Repetiram os passos, em 2004. Em 2008, outro "não" rotundo - não havia verba. A resposta sugeria ainda novas candidaturas, em 2012. Mas a notícia da devolução de dinheiro a Bruxelas, uns valentes 30 milhões de euros por gastar do Proder-Programa de Desenvolvimento Rural, não caiu em saco roto.

"Não era, claramente, uma questão orçamental", observa Sebastião Rodrigues, 35 anos, o presidente da Associação de Agricultores de Serpa. "Era falta de vontade política." Mesmo que, e as palavras são de Sebastião Rodrigues, fosse insustentável a existência de uma zona agrícola sem um único fio de eletricidade. "Caso único, em toda a Europa", assinala o representante daquela gente que, anos a fio, se sentiu esquecida. Até que a paz foi assinada, no verão de 2010 - papel passado pelo novo ministro, António Serrano, e a EDP -, traduzida num mapa cheio de pontos azuis e vermelhos, as 221 instalações de postes de eletricidade aprovadas. "Foi a união que fez a força", explica o presidente da autarquia de Serpa, José Rocha da Silva. "Em lugar dos pedidos individuais, desta vez o requerimento foi feito em grupo."

Numa primeira fase, empurrada por 5 milhões de euros, a eletricidade vai chegar a 52 explorações agrícolas (ainda este ano); na segunda, a 169 (em 2012). Mesmo assim, insiste o porta-voz dos agricultores, "a serra tem muito mais pessoas do que as abrangidas por esta eletrificação". Mais de 40 ficaram pelo caminho - já tinham perdido imenso tempo e dinheiro e, desta vez, nem se inscreveram. "Isso nunca há de ir para a frente", disseram-lhes. Na região, com a exposição solar mais extensa da Europa, e no distrito, Beja, com a maior potência fotovoltaica licenciada em Portugal, agarram-se aos geradores e aos candeeiros a petróleo, sem terem a certeza de algum dia haver festa, sem foguetes nem canas, só interruptores. De que lhes serve saber que as 19 - 19! - centrais ali à volta (ver infografia) produzem o suficiente para iluminar mais de 100 mil casas, se não lhes chega nada?

Uma outra estrada de terra leva-nos ao monte da Cruz da Cigana, freguesia de Salvador, onde vivem Jaime Braga e a mulher, Maria Antónia, ambos com 56 anos. "Somos nascidos e criados aqui", apresentam-se. Até há uns anos, só exploravam a carne das ovelhas; desde há três, conseguiram um subsídio para criar uma queijaria. Não há como não ter os geradores ligados o dia todo. "São 2 mil euros por mês em gasóleo - a sete litros por hora, faça as contas...", descreve Jaime. A energia transformada serve também a casa da família, apesar de, tanto o fogão como o frigorífico funcionarem, igualmente, a gás, e de a vida se fazer o mais possível ao ritmo da luz solar. E como o dia começa a clarear às seis da manhã, Jaime já está a pé, por essa hora, para a ordenha dos animais. Maria Antónia segue-lhe depois os passos, até às seis da tarde. Quando o Sol se recolhe, recolhem-se todos.

Em princípio, será por pouco tempo. Antigo presidente da associação local de agricultores, Jaime e a sua família vão estar entre os primeiros a ter eletricidade - após mais de dez anos de papelada para trás e para a frente. Maria Antónia deixa escapar que apenas acredita depois de ver. Só se lhe adivinha um bocadinho mais de esperança quando revela que já se rendeu à máquina da loiça.

Saberá, certamente, que os primeiros postes colocados já estão muito perto. As obras começaram em setembro - e, agora, são dois anos de trabalhos, até ao final de 2012. Três homens, um camião e uma grua erguem o tão desejado recém-elemento da paisagem. "Já instalámos 25 postes", contabiliza o responsável pela obra. "Mas temos mais de duas centenas para montar."

A viver da esperança No monte da Penalva, na freguesia vizinha de Vila Nova de S. Bento, também se suspira pela eletricidade. "Estamos à espera que chegue", dizem Virgílio e Fábio Agostinho, 64 e 25 anos, pai e filho, o primeiro, agricultor, o segundo, mecânico de automóveis. E repetem: "A ver se vem o dia de ela chegar." Vista dali, a obra ainda se encontra longe - e isso explica que estejam bem menos crentes. "A primeira fase está aí, a ver se a segunda não fica a arder", duvida Fábio.

Até lá, os dias vão passando. Virgílio trata dos animais, 300 ovelhas e dois pares de porcos pretos; Fábio montou a oficina de carros no armazém anexo à casa. Só quando a noite cai se percebe bem o desalento de Virgílio Agostinho - e como promessas e contratos soam demasiado a palavras vãs. Entra em casa, procura a caixa de fósforos e acende o candeeiro a petróleo. É hora de dar um jeito à habitação - arruma-se à maneira do homem, que a mulher levou-a um enfarte, faz dois anos em abril - e Virgílio até se safa bem sozinho. Já tem sopa pronta, que uma prima lhe levou, e depois come mais qualquer coisinha. "Olhe, vou assar uma carne, aqui no lume", anuncia, enquanto destapa a lareira que tem na cozinha. "Basta pôr uma grelhazinha..." Quando é preciso ligar a máquina de lavar a roupa, recorre ao gerador. O resto do tempo, um simples candeeiro a petróleo serve para o alumiar. O filho fez outras contas e aventurou-se por um par de painéis solares. "Para ligar a televisão ou a batedeira, e um de cada vez, que só um gerador pequenino não alimenta mais do que duas lâmpadas."

"E a ver se os homens desta vez não enganam a gente...", insiste Virgílio, a lembrar-se de que, há uns quantos anos, fez-se um levantamento para uma suposta candidatura que nunca chegou a ir para a frente, mas levou-lhe, ainda no tempo dos escudos, mais de 200 contos. "Agora, só tenho de pagar a baixada", nome dos cem a 600 euros que vai desembolsar para estender mais um cabo que lhe traga, até casa, a eletricidade do poste mais próximo.

Nada que abale o otimismo que se sente na casa de Luís Pereira, do outro lado do monte. O jantar está quase pronto, Maria do Carmo põe a mesa, a sogra continua a seguir as notícias na TV. Já todos deram muitas horas da sua vida para trazerem a eletricidade. "Claro que vivemos aqui por opção, também podíamos ter saído, não haver energia traz custos enormes", diz Luís Pereira. "Só com muita carolice é que se consegue trabalhar sem energia elétrica."

Até dezembro de 2012, contam-se os dias. "Parece que, ao fim deste tempo todo, está a encaminhar-se", arrisca o agricultor. "E nós temos de acreditar."


Este texto faz parte de uma reportagem da revista Visão, levada a cabo pela Jornalista Teresa Campos, e é de salientar o apoio prestado pelo Manuel Martins e pelo Manuel Fernandes para a consecução da mesma.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Apesar da crise...

Apesar da crise ainda há empresas prósperas, mesmo proveniente de uma zona do país onde se apresentam grandes dificuldades. A queijaria Guilherme esteve presente na "Alimentaria 2011", evento que decorreu na Feira Internacional de Lisboa (FIL) entre 27 e 30 de Março. Empresa esta que eleva bem alto o nome da Serra de Serpa. Os nossos parabéns, continuem.

domingo, 3 de abril de 2011

Nascido e Criado em... VALES MORTOS

Este Rábano, com mais de 50cm de parte comestivel, nasceu e criou-se num quintal de Vales Mortos. Ainda há quem saiba cuidar da terra...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Carnaval 2011


Os alunos do Pré-Primário e do 1.º Ciclo de Vales Mortos vestiram-se a rigor e brincaram ao Carnaval desfilando pelas ruas da localidade...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Não vamos deixar o BLOG morrer

Caros amigos leitores do blog!
Este espaço tem dois anos e já teve alguns altos e baixos, mas só graças à colaboração de todos ele ainda se matem em actividade.
Já proporcionou encontros de pessoas que não se viam há muito, levou noticias da terra a muita gente espalhada por esse mundo fora.
Para o mantermos a funcionar necessitamos da vossa colaboração, por isso colaborem enviando as vossas imagens, vídeos, fotos, noticias e comentando.
Muito obrigado!
CONTINUEM!!!

quinta-feira, 17 de março de 2011

AQUELA PONTE !!!!









Esta ponte  já deu muito que falar!! Convidamos-te a deixares aqui o teu comentário acerca desta vergonha! Mais uma deste nosso Portugal.